Sendo de uma aldeia do Centro/Norte é normal que as minhas recordações desta época do ano, em especial a montagem do
pinheirinho de Natal, sejam muito rústicas e naturais.
Recordo-me de em alguns Natais ir com o meu pai, outros com o meu avô pelos inúmeros pinhais que rodeavam a nossa aldeia em busca do
pinheirinho perfeito.
Enquanto que eles se debatiam para encontrar a melhor árvore, eu passava o tempo a apanhar musgo (para fazer o presépio) que colocava com muito jeitinho dentro de um baldinho que havia levado para este propósito. E lembro-me perfeitamente que dada a natureza nesses sítios, apanhar musgo era um prazer, ainda que ficasse com as mãos húmidas e cheias de terra. Mas a verdade é que gostava imenso...era tão fofinho...
Depois de muito andarmos (nem sempre o pinheiro perfeito nos aparecia com tamanha facilidade, ás vezes tinhamos que andar Km) voltávamos por fim a casa deixando para trás aquele cheiro de frescura, de humidade, de pinheiro fresco....
Eu ia super contente e feliz correndo e cantarolando. Entre os dois, levávamos o nosso
pinheirinho e musgo para armar a nossa árvore de Natal.
Chegados a casa o meu pai enchia um balde com terra e algumas pedras onde depois colocava o pinheirinho. Acto seguido era tapar o baldinho com papel de embrulho.
Daqui partiamos para as fitas coloridas que ainda que existam e em grande força nos dias de hoje, já não se usam tanto como naquela época.
Fitinhas de todas a cores, algodão a imitar a neve, pais natais de chocolate (que iam desaparecendo á medida que eu e o meu mano nos lembravamos, isso sim, sempre ás escondidas dos meus pais ahahah) algum que outro desenho que eu com a ajuda do meu mano fazíamos... e momentos depois a árvore estava pronta.
Pronta para ser devorada com os olhos e ás vezes com a boca.
Pronta para me trazer sonhos repletos de magia, sonhos em que o Pai Natal ( eu ainda acreditava no Pai Natal) me ia contemplar esse ano, com as melhores prendinhas que se resumiam a bonecas e nenucos.
Ás vezes sim, outras vezes não!!!
Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Foto: Imagens: Google image, Montagem: Sandra Pereira