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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dia Internacional da Língua Materna


Hoje, 21 de Fevereiro, é o DIA INTERNACIONAL DA LÍNGUA MATERNA.

E é com este texto de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa que aqui neste blog, se presta homenagem á minha língua materna, o PORTUGUÉS! E como quem não quer a coisa a todas as outras línguas também☺




 Livro do Desassossego  por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa

"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico.Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa.

Fontes:
Texto: Sandra Pereira e Google
Fotos: Google Images

domingo, 16 de dezembro de 2012

Codicia | Los Angeles Caidos | J.R. Ward


Editorial: Suma de Letras, Suma Sentimientos / Marzo 2011
ISBN: 978-84-8365-211-4
Género:
Paranormal / Fantástico
Serie: 1º- Fallen Angels - Ward

Título original: Covet
Editorial original:
Signet Books / Septiembre 2009
ISBN original: 978-0451228215
 
Redención no es una palabra que Jim Heron conozca muy bien. Más bien su especialidad es la venganza y el pecado su amigo más cercano. Pero todo cambia cuando se convierte en un Ángel Caído y se le encomienda la tarea de salvar a siete personas de los siete pecados capitales... y el fracaso no está permitido.

Vin diPietro hace mucho tiempo que vendió su alma por sus negocios, y es el mejor en su profesión... hasta que el destino se interpone en la forma de un rudo motero que se ha autoproclamado su salvador. Y entonces conoce a una mujer que le hará cuestionarse su destino, su cordura y su corazón... y tendrá que unir fuerzas con un ángel caído para ganársela y redimir su alma.

Crítica:

Confesso, que depois de ler tantos livros, numa óptica e escrita totalmente imperiosas, desta mesma autora, quando volto a ler algo da mesma, os meus critérios vão altissimos e super exigentes.
Claro que também vou corrompida e influída, por personagens e vivências mais que surrealistas e imaginárias, algo de credíveis e aceitáveis, o que faz que  a minha leitura seja irremediavelmente rápida e devoradora.

Contudo, também há que ter presente que nem todas as histórias se baseiam nos mesmos factos, nos mesmos ideais, nos mesmos cenários, no mesmo propósito, ou nas mesmas circunstãcias. Se tivermos isto em conta, talvez o choque que possamos viver não seja tão brusco e dasanimante.

Não digo com isto que avaliei de uma forma menos positiva este livro...porém a verdade é que me desiludiu um pouco, (e isto foi culpa minha, pelos motivos atrás referidos).
Ditas estas palavras, decidi dar mais uma oportunidade a esta nova série desta autora e ler o segundo livro. Pode ser que o amor já exista e simplesmente não o tenha visto neste primeiro encontro (ás vezes necessitamos de mais tempo para assimilar o que nos acontece e o que sentimos).

Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Fotos: Google Images

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Amante Mío

Quem acompanha este blog, sabe que sou fã desta colecção!
Simplesmente adoro "La Hermandad de la Daga Negra".
Tem tudo para gostar!! Oh se tem.
Homens vampiros deliciosos, histórias loucamente perigosas e apaixonantes, aquela tensão sexual, o descubrimento do amor e paixões arrebatadoras, e tudo envolto por histórias de homens perfeitos, capazes de acabar com o inimigo em segundos. Histórias fantásticamente bem conseguidas, com alguma, diria muita fantasia pelo meio, porém com um lado tão real e implicante que me consegue absorver completamente.

Antes lia estes livros em 2 dias!!! Agora não posso!
Não posso porque esta colecção está a chegar ao fim e o medo de ficar "sozinha" sem a presença destes vampiros, é avassaladora. Não quero que isto tenha um fim. Assim que leio o mais lento que posso, para me sentir inserida numa história, que creio, todos gostavam de viver algum dia!



Contudo, sempre posso voltar a reler e reler e reler...Porém há coisas que só se sentem na primeira vez.

Dizer que de todos os livros que li, tenho o meu preferido, é claro, e não é este. Porém paradoxalmente, é o livro melhor conseguido desta colecção. Tem uma história contada por 3 partes que simplesmente encaixam tão bem e tão perfeitamente...ainda que só me tenha dado conta no final.

Seguramente esta escritora sabe bem o que faz!
E eu estou com ela!

Adoro!

Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Fotos: Google Images

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SILÊNCIOS E PALAVRAS!


 "Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio.
...

Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém.

Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.

Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir.

Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos."


Fonte:
Texto:http://multishow.globo.com/musica/padre-fabio-de-melo/silencios-e-palavras
Imagem: Google Imagens

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Amante Vengado. J.R. Ward

  
Acabo de terminar, Amante Vengado, número sete de uma lista irreprensivelmente viciante e apaixonante.
Nao posso deixar de os ler!!
 
Sinopsis
En las sombras de la noche en Caldwell, Nueva York, se libra una guerra letal entre los vampiros y sus asesinos. Pero también existe una Hermandad secreta que no se puede comparar a ninguna otra que haya existido. Ahora, mientras los guerreros vampiros defienden a su raza de aquellos que quieren exterminarlos, la lealtad de un hombre hacia la Hermandad será puesta a prueba —y su peligrosa naturaleza será revelada...
Rehvenge siempre ha mantenido las distancias con la Hermandad, aunque su hermana está casada con uno de sus miembros, pues guarda un letal secreto que podría hacer de él un gran lastre en su guerra contra los restrictores. Y mientras las conspiraciones dentro y fuera de la Hermandad amenazan con revelar la verdad sobre Rehvenge, él se acercará a la única luz que ilumina su mundo de oscuridad y que trata de sostenerlo, Ehlena, una vampiro que nunca ha conocido la corrupción y traición... y la única persona que puede salvarlo de la destrucción eterna.


Fontes:
Texto:Sinopsis:http://www.autorasenlasombra.com/obras.php?id=2038&titulo=amante-vengado
Demais Texto: Sandra Pereira
Fotos: Google Images

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Para ser grande, sê inteiro



Para ser grande, sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hoje de manha saí muito cedo...


Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
                                                                                    Vou onde o vento me leva e não me
                                                                                    Sinto pensar.

                                                                                    Alberto Caeiro

terça-feira, 12 de junho de 2012

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

                                     Alberto Caeiro

segunda-feira, 12 de março de 2012

"Esta Noite sonhei com Mario Lino"



Miguel Sousa Tavares
8:00 Segunda feira, 29 de junho de 2009

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/esta-noite-sonhei-com-mario-lino=f523352#ixzz1ovtv1qRl

As raparigas do Norte

As raparigas do Norte", por Miguel Esteves Cardoso

 ''As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos impossíveis.
Têm o ar de quem pertence a si própria.
 Andam de mãos nas ancas.
Olham de frente.
 Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam.
 Confiam, mas não dão confiança.
 Acho-as verdadeiras.
 Acredito nelas.
 Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
 As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
 Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.'

 SOU DO NORTE :)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Mulher do Tigre de Téa Obreht

A Mulher do Tigre

 
Sinopse

Grande vencedor do Orange Prize for Fiction 2011, considerado «excecional» pelo júri do prémio (reputado galardão que visa a promoção da escrita no feminino, atribuído todos os anos no Reino Unido), A Mulher do Tigre é um dos livros de ficção mais vendidos pela Amazon americana.
Um novo talento na ficção contemporânea que, com apenas 26 anos, foi considerada pelo The New Yorker uma das vinte melhores escritoras norte-americanas com menos de 40 anos e foi ainda incluída na lista do National Book Foundation (que elege 5 escritores abaixo dos 35 anos de idade). A Mulher do Tigre tem suscitado uma aclamação unânime e entusiástica por parte da crítica, do público e de outros escritores em todo o mundo.

Natalia é uma jovem médica que está destacada numa missão de solidariedade a um orfanato quando recebe a notícia da morte do avô, ocorrida em circunstâncias pouco claras. Ao lembrar-se das histórias que ele lhe contava na infância, convence-se de que o avô passou os últimos dias de vida em busca de uma das suas personagens. Tenta então, a par da missão que lhe foi confiada, compreender as motivações do avô e depara-se com uma pista que a conduz à extraordinária história da mulher do tigre: a da singular amizade entre um tigre fugido de um jardim zoológico, depois de um bombardeamento durante a Segunda Guerra Mundial, e uma misteriosa mulher surda-muda. Realidade e mito, presente e passado sucedem-se nesta evocação sublime dos Balcãs pela mão de uma exímia contadora de histórias.

domingo, 18 de dezembro de 2011

..."Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida... Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outra maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido"
(Almada Negreiros)

Travessia



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

 (Fernando Pessoa)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Roma manda remover os 'cadeados do amor' da Ponte Milvio

O meu namorado diz-me:

"Mandaram tirar todos os cadeados da ponte! * O quê? Pergunto eu. * Os cadeados da história essa do Federico Moccia. Vem no jornal. Acabo de ler. *

...mas o que se passa? a ver o que diz essa noticia!
Pesquisa realizada e é com desgradável surpresa que me deparo com essa tal "suposta" para mim,  noticia!!


"É tradição entre os casais que visitam a capital italiana fazer juras de amor na Ponte Milvio. Feita a jura o casal escreve os seus nomes num cadeado que depois é fechado em volta nas correntes da ponte que liga as duas margens do rio Tibre. Depois de a chave ser atirada ao rio, o amor durará para sempre. Foi esta a tradição que despertou a ira das autoridades romanas, que decretaram já que todos os cadeados acumulados serão retirados.
Com o objectivo de preservar a histórica ponte, durante esta semana trabalhadores camarários devidamente equipados vão fazer o que for necessário para que a Ponte Milvio se veja livre dos pesados cadeados que envolvem um dos seus pilares.
As autoridades camarárias explicam que se trata de uma questão de segurança, pois o peso do metal pode prejudicar as fundações da 'ponte do amor'.
A decisão não agradou a muitos romanos e, provavelmente a muitos não romanos que ali deixaram as suas juras de amor. Quem também não gostou desta decisão foi Frederico Moccia, o autor do romance de culto que se acredita ter sido o ponto de partida para esta recente tradição.
De acordo com o romance do autor italiano, um jovem casal escreve os seus nomes num cadeado que depois ata em volta de um dos candeeiros da Ponte Milvio. De seguida beijam-se e lançam a chave às águas do Tibre, tal e qual se faz hoje em dia na vida real.
Os defensores dos cadeados consideram que os mesmos não causam prejuízo nenhum à construção e que funcionam, inclusive, como uma atracção turística. Actualmente, muitos são os vendedores ambulantes que vendem cadeados nas imediações da ponte."

Fotos: Google images

Perdona pero quiero casarme contigo


Sinopse:
La esperada segunda parte de Perdona si te llamo amor. La historia de amor continúa...
Alex y Niki están más enamorados que nunca, acaban de volver del faro de la isla de Blu, donde han vivido días inolvidables.

Niki se reencuentra con sus amigas, pero el grupo de las Olas deberá afrontar grandes cambios que pondrán a prueba su amistad. Alex retoma su vida de siempre, sus viejos amigos.

Ellos, Flavio, Enrico y Pietro, han pasado de ser maridos serenos y seguros a tener que afrontar muchas dificultades que han puesto en peligro sus matrimonios.

Y ahora todas estas personas, hombres y mujeres de diferentes edades, cada uno a su manera se encuentran para reflexionar sobre el amor. Pues, ¿existe el amor? ¿Es cierta la crisis del séptimo año? ¿Tienen razón los que dicen que un amor no puede durar más de tres años? Y después, la pregunta más difícil: ¿un amor puede durar para siempre?
O filme: Trailer



A minha opinão:

 
Gostei imenso.
 700 páginas de frases loucamente apaixonantes, "entrañables", delirantes.
Uma história muito actual, divertida, credível, triste, alegre...capaz de despoletar sentimentos dificeis de transcrever, ou talvez eu esteja preguiçosa hoje ;)
O melhor?? A coincidência perfeita da história com o actual momento da minha vida: o casamento e tudo o que o envolve :), mas atenção, nem tudo!!

Fontes:
Restante texto: Sandra Pereira
Video e imagens: youtube.com e www.federicomoccia.es

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

La Saga Crepúsculo * Amanecer




Ontem foi tarde de cinema :)

Ainda nao tinha tido a possibilidade de assistir ao grande evento do ano...porém, agora já posso dizer que estive presente...e Adorei!!!

De facto,a primeira parte do último filme, pese a que digam o que digam, está demais!!
 Diferente, romàntica, divertida, com muito sentido de humor, sim, actual, e ainda que com muito misticismo, quase todo ele creyente...

Agora?? Pois agora esperar por 2012 para que saia aquela que será entao a última parte desta apaixonante saga.

Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Vídeo : youtube.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Transformando el amor



"Aquella noche comenzó su transformación.
Hecho un flan se rasuraba el cuerpo mientras pensaba que debía haber formas mejores de depilarse sin montar esa escabechina.
Eliminó hasta el último vello, se embadurnó de crema y se puso la ropa, primero la interior, después falda, camisa…
Se maquilló como pudo, se colocó el pelucón y se miró en el espejo.
Iba hecho un adefesio pero debía continuar.
No lo hacía por sentirse preso en un cuerpo equivocado, ni por disfrutar de una doble identidad.
Desde que supo que ella salía con una mujer estaba dispuesto a todo para no perderla."



Fontes
Fotos: Google images

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Espía de Dios

Fecha de publicación: Febrero de 2006
Número de páginas: 320

Sinopsis
:
Un asesino en serie...
Una psiquiatra criminalista...
Un sacerdote de la CIA...
Un cónclave asediado...
Un juego mortal...
donde nada es lo que parece.
Un trepidante thriller plagado de acción, violencia y misterio, en el que la realidad y la ficción se mezclan para inquietarnos con lo que, sin ser cierto, bien podría serlo.

Roma, 2 de abril de 2005. El Papa Juan Pablo II acaba de morir y la plaza de San Pedro se llena de fieles dispuestos a darle el último adiós. Al mismo tiempo, se inician los preparativos para el cónclave del que ha de salir el nombre del nuevo Sumo Pontifice. Pero justo entonces los dos cardenales mejor situados del ala liberal de la Iglesia, Enrico Portini y Emilio Robayra, aparecen asesinados siguiendo un mismo y macabro ritual que incluye la mutilación de miembros y mensajes escritos con simbología religiosa. Un asesino en serie anda suelto por las calles de Roma, y la encargada de perseguirlo será la inspectora y psiquiatra criminalista Paola Dicanti. Durante la investigación, la joven detective se adentrará en los más oscuros secretos del Vaticano, aquellos que hablan de conspiraciones nada decorosas y de la existencia de un centro donde se rehabilita a sacerdotes católicos con historial de abusos sexuales.
A la cruel astucia del psicópata se unen las trabas que los servicios de seguridad del Vaticano ponen a la investigación: oficialmente las muertes de los cardenales no están ocurriendo y el cónclave debe celebrarse con normalidad. La aparición del padre Fowler, un ex militar norteamericano, supondrá un nuevo desafío para Dicanti, reacia a confiar en el misterioso sacerdote. Pero Fowler conoce el nombre del asesino y guarda un secreto aún más temible: su propio pasado.
 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

FEDERICO MOCCIA - O Prazer de reviver a Adolescência

"La historia Federico Moccia (Roma, 1963) es increíble: su primera novela, A tres metros sobre el cielo, fue rechazada por todas las editoriales a las que la mandó, por lo que Moccia decidió publicarla por su cuenta, y tuvo un éxito tan clamoroso que pronto fue contratada por una gran editorial que apostó por el autor y lo catapultó a la fama.

Desde entonces, Federico Moccia se ha convertido en un referente para millones de lectores con sus novelas: A tres metros sobre el cieloTengo ganas de ti (Planeta, 2009), Perdona si te llamo amor (Planeta, 2008), Perdona pero quiero casarme contigoCarolina se enamora (Planeta, 2011).  (Planeta, 2008), (Planeta, 2010) y

Moccia se ha convertido en un fenómeno que ya ha traspasado el papel puesto que se han hecho adaptaciones cinematográficas de todas sus novelas. En España se estrenó en 2010 la versión italiana de Perdona si te llamo amor, y en diciembre del mismo año la adaptación española de 3MSC con Mario Casas y María Valverde de protagonistas" 
 Informação retirada de :http://www.federicomoccia.es/federico-moccia.php

Não sou uma adolescente, tendo já ultrapassado essa fase, há alguns anos, não muitos, mas já há alguns...No entanto quero referir, que a adolescência sempre fará parte de nós, na medida em que algo fica, as emoções sentidas, as experiências vividas, os amores apaixonados que tivemos, uns mais que outros, as paixões platónicas que vivemos, as borboletas que sentiamos no estômago quando nos cuzávamos na rua com aquele rapaz(ou rapariga) que nos fazia sonhar de noite ao olhar para a lua e vendo as estrelas...Tantos momentos bons, tantas loucuras, tantas histórias para contar aos netos, da nossa eterna adolescência, que para sempre ficará connosco. Nem todos somos iguais, e por isso sentimos e vivemos de maneira diferente, existindo também que não tenha tido essa louca adolescência, que do meu ponto de vista nos prepara e torna mais fortes para a vida! 
Por isso, a todos aqueles, bons viventes ou não, aconselho a leitura de Federico Moccia. Aos bons viventes, sempre é agradável recordar loucuras que vivemos, e aos menos viventes, será uma mais valia, para no mínimo ter um "desvendamento", do que é ser adolescente, do que é sentir com liberdade e loucura, do que é viver a vida, justa, a cada momento justo.

Boas leituras ;)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"La Esclava de Córdoba" no Museo Chicote

Gran Vía, 12, Madrid
É aqui, na mais mítica avenida de Madrid, no número 12 que reside uma das casas com mais história desta maravilhosa cidade. Com as suas portas abertas desde 1931, ou seja precisamente 80 anos de vida, 80 anos de histórias, de celebridades, tertúlias teatrais, festas, actores, reis, cantores...toda ela, uma extensa lista de famosos.
É aqui que ainda hoje se realizam encontros, tertúlias e apresentações, como esta a que tive o prazer de comparecer: a apresentação do livro"La Esclava de Córdoba" do escritor português, Alberto S. Santos.
Foi sem dúvida uma experiência nova e bastante interessante para mim,na medida em que não só tive o prazer de conhecer o autor, Alberto Santos, que se revelou uma pessoa agradável, daquelas que gostas desde o primeiro impulso, e também no sentido de sentir que a minha presença, enquanto portuguesa, numa apresentação ao público espanhol, foi uma mais valia para o escritor que se mostrou verdadeiramente agradado.
Por outro lado, é sempre divertido e enriquecedor, assistir ao vivo a algo que já conheces da televisão, de ler, de ter ouvido dizer...
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