A
cada dia que passa, tenho sempre mais e mais a certeza (absoluta) desta ordem
certa da minha vida. Eles. Primeiro eles. Amor. Dedicar-me a eles como se não
houvesse amanhã. Não há nada mais
precioso que eles. Estar com eles. Desfrutar deles. Vê-los crescer.
Não
há trabalho nenhum, nem nenhum mísero (ou talvez nem tanto (pelo menos aqui no
Luxemburgo)) salário, que fale mais alto que a sorte de ser mãe. A tempo
inteiro. Nenhum dinheiro do mundo vale mais que isto. Nenhum. Nenhum trabalho e
nenhum dinheiro do mundo me faz sentir melhor, do que este. É tudo o que
necessito para me sentir realizada. Cheia de auto-estima. Nenhum trabalho me faz sentir melhor, ou mais
inserida na sociedade, ou apenas mais útil, que saber que estou aqui. No caminho
certo. O do amor.
Não
preciso que nenhuma empresa e nenhum salário me deem isso. Tudo o que preciso é
saber que os meus filhos estão bem. Que são crianças felizes. Quero que eles
sintam em mim o pilar mãe, e não no próximo. Terão anos de mais, para viverem “fora
de mim”. São muitos os dias que se avizinham, em que irão passar muito tempo
fora, em que não poderei olhar para eles, em que não lhes poderei dar um abraço
sempre que apeteça. Onde o colo deixará de existir.
E
porque a vida é um fósforo eu tenho mais que aproveitar é agora. Enquanto o
posso ser, enquanto que as regras da sociedade o permitem. Já chegará o tempo
que passarão mais tempo fora que dentro.
O
que mais pena me dá, é que para eu estar tão presente, o pai não o possa estar.
Lá
está. As regras da sociedade. São elas que ditam a nossa vida.
Porém adoro esta
sensação de poder contrariar. Porque sei que há mães e pais que gostariam e não
podem. E percebo a dor que sentem de não poder estar com os filhos…principalmente
nestes primeiros anos das suas vidas.
Porque o amor, o carinho, a auto-estima,
estes são primordiais agora. Nos primeiros anos da vida do bebé / criança. Sou totalmente
apologista da ideia dos pais sempre que podem, ficarem com os filhos. Porque estes
momentos nunca mais virão. E porque como se ouve muito por aí dizer, as crianças
não sabem o que é o dinheiro. Não ligam a bens materiais. Eles querem colo. Gargalhadas.
Correr atrás dos pais. Jogar à bola ou aos médicos. Jogar ao esconde-esconde. As
crianças querem a PRESENÇA dos pais. Não a de um educador, e a de uns
amiguinhos que lhes foram impingidos em tenra idade, só porque os pais têm que
trabalhar, para se sentirem pessoas (salvo aqueles que têm mesmo necessidade de
o fazer, é até para esses casos que existem os infantários). Sim é uma crítica.
Mas claro. Cada um sabe de si…
E
eu estou aqui é para dizer, que sim, que tenho mesmo a felicidade de saber que
esta é a ordem certa da minha vida. O amor. Os meus filhos. Ser/estar para
eles. Deitar um filho ao mundo para serem outros a desfrutar deles, não
obrigada. Acho até um egoísmo enorme da parte de quem comete esta aberração.
**
Se teria uma conta bancária muito mais gorda que aquela que tenho, estando a
trabalhar? Sim. A resposta é sim. Mas para que me servia esse dinheiro se
depois os meus filhos seriam uns subordinados precoces desta sociedade e nenhum
de nós seria feliz? Para quê tantos euros na conta se depois não os posso
desfrutar felizmente. Para salvaguardar um futuro? A vida é um fósforo!!
Sim,
esta é a ordem certa da minha vida. Eles.
Fontes:
Texto: Sandra Pereira
Fotos: GoogleImages

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