quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Se isto não é amor...

....então não sei como lhe chamar.

Uma pessoa está a dormir profundamente, incluso a sonhar e nada faz prever que o sono e o sonho poderão ser interrompidos. 
Mas são!
Não é choro de bebé. Também não é voz humana. Não é nenhum barulho estrondoso ou raro...
Não. É uma voz que fala à sua maneira, que tem uma fonética muito característica e totalmente familiar.
Ela é especial em tudo e até na sua maneira de pedir tudo.
"Quero fazer xixi"; "Tenho fome"; "Tenho sede"; "Quero ir brigar com os vizinhos"; "Quero ir à rua"; "Faz-me miminhos"; "Gosto muito de ti".... As frases são mil possibilidades diferentes, mas a fonética exterior é exactamente a mesma para essas mil possibilidades. E é insistente nos seus pedidos. Não desiste. Fala tudo quanto pode. Alto e bom som. Pede. Volta a pedir. Afirma. Volta a afirmar.
De dia usa uma técnica mais infalível: o olhar. Como se não bastasse com a sua fonética pessoal, para acabar connosco usa aquele olhar ao que é total e irremediavelmente impossivel de resistir.

Mas estávamos na parte do sono...
Dizia eu que poderia estar a dormir profundamente e até a sonhar, que isso não servia de nada para impedir de a ouvir. Como disse ela é insistente. E se não lhe damos atenção ao que diz, ela não tem problemas em acordar-nos com um toque de nariz, ou com uma patada meiga. Não. Ela é insistente. Posso até ignorar a sua fonética (que muitas vezes é suficiente para que ela volte à sua caminha) mas ignorar um toque de nariz, ou uma patada meiga, isso é totalmente impossível. Não dá. Um toque de nariz ou uma patada meiga significa duas coisas que não se podem ignorar assim como assim, ainda que o nosso sono seja uma necessidade: "estou mesmo aflita" ou "tenho mesmo muita fome/sede".

E é então, que sejam as horas que forem, 4h30, 6h47, 5h15...temos que abandonar o sono, o sonho e a preguiça de levantar, e forçar as pernas a mexerem-se, obrigar os pés a pousar no chão e de cabelos desgrenhados, luz apagada ir atender as necessidades dela. 
Porque até poderia ignorar...mas o amor que sinto por ela não me deixa.
Até podia fazer caso omisso da sua fonética, do seu toque de nariz e da sua patada meiga...mas o amor que sinto por ela não me deixa.
Porque eu sou mais feliz assim!! Com sonos interrompidos, lutas preguiçosas e preguiças passageiras.
Porque a sua fonética diz tudo e pede tudo: "gugu gu gugugu gugu"



Fontes: 
Texto e fotos: Sandra Pereira
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