quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Em situação de perigo...que fazemos??

Os dias passam e sem grandes surpresas.
Quase sempre são iguais, com milhares de coisas diferentes, mas sempre iguais!
Hoje foi algo diferente!
Algo que de entre milhares de diferenças que acontecem diariamente, não esperava que acontecesse. Pelo menos não algo tão "posivelmente perigoso".




...Estava a passar a ferro, no quarto dos convidados, quando o som da campainha interrompe os meus pensamentos. Normalmente, não costumo atender a campainha, porque nunca estou á espera de ninguém, nem de nada, e prefriro não perder o meu tempo a abrir a porta aos carteiros e mensageiros de publicidade e outros vendedores afins. Mas desta vez o toque era conciso e de uma duração determinada,  o que me levou a pensar que poderia ser para mim. E como estava a 3 passos e um esticar de braço para levantar o auscultador, decidi fazê-lo: atender o telefone da rua para saber quem tocava e o que queria.
A conversa já ia a meio e somente apanhei o seguinte
"...tan amable de abrir la puerta, por favor? - pede o tipo.
 - De que piso eres? - pergunta a minha vizinha que estou para saber quem.
 - Soy del segundo D - (uma contestação algo duvidosa que me deixou a pensar e que automaticamente, por obra do destino, ou não, interpretei como primeiro D).
Escuto a porta  da rua a abrir-se. E com tamanha confusão na minha cabeça, porque pensei que seria o meu vizinho, com algo raro na voz,  fiquei á espera do lado de cá da minha porta de entrada, espreitando como as velhotas do meu povo, à socapa e sentindo-me algo estranha, por estar a espreitar o meu vizinho.
O suposto vizinho sobe as escadas e passa junto á minha porta sem saber que do outro lado eu o estava a espiar. Com uma postura rara e desconfiada olhava para o prédio enquanto fazia questão de subir para o segundo piso. Vejo-o subir, sempre com esse olhar desconfiado. Fico á espera. à espera de algum ruído, alguma conversa, do rodar de uma fechadura, do bater de uma porta. Mas nada, não se ouvia nada.
Desisti e voltei para a minha tarefa de passar a ferro. Acabava de passar mais uma camisa, quando ouço um barulho surdo. Algo que não reconheci imediatamente. Depois mais barulhos. O som de umas cadeiras a tocarem-se uma á outra.
...mas isto é no meu quintal!
Dirigo-me á janela, que estava entreaberta, para sairem os vapores libertados pelo ferro de passar, e ...o meu coração começa a bater aceleradamente como um louco. Aí, plantado no meu quintal, estava o tipo. Um homem dos seus 28-35 anos de idade, inspeccionando o local onde estava e a pensar sabe-se lá o quê.
Reagi automaticamente, e  abri um pouco mais a janela e sem gritar falei para o tipo:
- Que haces aqui? A ver si llamo la policia, ya!
E no mesmo instante ainda não tinha terminado de falar, fecho a janela, corro pelo corredor, a verificar se a porta da cozinha que da para o quintal esta fechada, e volto a correr em direcção á minha sala, para apanhar o telefone fixo.
- Que número marco? Para quem ligo? Qual é o número da policia?
112. Marquei o 112. Mas, e ....
Desliguei.
Volto a marcar um numero novo.
O numero do marido.
Não atende! Merda!
Volto a tentar.
O  meu telefone toca. Merda enganei-me e estou a telefonar para mim. Não, afinal era o marido que me retribuia a chamada.
Atendo o telefone.
- Amor!! Ai. Estou nervosa. Tenho o coração a mil... - dirigo-me á janela do quarto para espreitar e ver o que faz o tipo. Já não está. Para onde foi? Por onde foi? Como saiu? -
- O que se passa? - pergunta-me o marido.
- Espera, deixa-me respirar - e enquanto tento tranquilizar-me vou contando-lhe o que aconteceu. Saio para a rua, para o quintal. A Nara vai atrás. De repente algo lhe chama a atenção. São os cheiros, os odores que o tipo deixou. A Nara fareja tudo, as cadeiras, o chão...Eu chamo-a. Ela insiste. E volta a cheirar!
- Vou já para ai! - o marido é muito preocupado e protector.
E veio. 15 minutos mais tarde, estava a entrar em casa. Mas o tipo já não estava e nem sinais dele, a não ser a marca das suas pegadas no meu quintal.
Assim como apareceu, também desapareceu.

Felizmente nada aconteceu, e foi só um susto.
Podia ter sido algo que nem sequer quero imaginar. Todos os dias se vêem historias na televisão, no jornal, no facebook de arrepiar os pelos até dos sovacos.

A minha amiga V fugiria de casa, eu tranquei-me em casa e apanhei o telefone para ligar para alguém. E tu, que farias?

Uma coisa aprendi e já resolvi.
No meu frigorifico, no meio de tantos imans, e fotos e telefones da telepizza e otras coisas afins, já consta uma folha bem visivel com o número de telefone da policia da zona e emergencias.
Nunca se sabe assim que o melhor é estar prevenida para situações de pãnico, porque nunca sabemos como reagiriamos e ás vezes também nos pode dar uma amnesia pontual que não nos deixa recordar números e soluções importantes e quem sabe talvez vitais.



Fontes:
Texto: Sandra Pereira 
Fotos: Sandra Pereira e Google Images
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