quarta-feira, 5 de outubro de 2011

OUTONO


CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão…
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…
(Cecília Meireles)

O outono já chegou – aos arrufos do vento
as folhas num desmaio embalam-se pelo ar…- vão caindo… caindo… uma a uma, em desalento
e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar…
O céu perdeu o azul – vestiu-se de cinzento 
e envolveu na neblina a luz baça do luar…
- na alameda onde vou, de momento a momento,
há um gemido de folha a cair e a expirar…
O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folhareu no espaço em redemoinhos…
Há um córrego a levar as folhas secas em bando…
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas,
parece que o arvoredo em coro está chorando!…
(J.G. de Araujo Jorge)

 

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